CIGANA
Do fogo ardente de uma fogueira...
Noite fria, ceu de estrelas...
Cintilando na imensidão do universo.
Entre sombras dos arvoredos ao meu redor.
Eu, um solitário viajante...
Aventureiro, um sonhador... Adormeci...
O calor das chamas se acendeu dentro de mim.
Não era da fogueira que queimava,
nem das estrelas no firmamento.
Me veio das sombras da minha solidão.
Em forma de mulher, divina e bela.
Com seus longos e sedosos cabelos
a bailar sob a brisa fria daquela noite.
Guitarras entoavam solos estridentes
fazendo-a bailar ao redor do fogo.
Uma silhueta jamais desenhada.
Rodopiava seu corpo...
Coberto por um vestido vermelho
estampado de flores.
Embalando o meu sonho, sim...
Divina deusa do amor,
seus movimentos suaves de um querubim.
Teu sorriso meigo e belo...
Teus olhos me fitavam como flechas
penetrando minha carne.
Meu coração palpitou, faltou-me o ar...
Estava sonhando!
Não acreditava ver tanta beleza,
Tanta doçura a dançar,
em uma melodia envolvente
Meus olhos saltaram quando de mim se aproximou...
Tirou um veu delicado de seda,
perfumado de flores que lhe cobria o rosto,
revelando uma beleza jamais contemplada,
por um simples mortal.
Suas mãos delicadas como as plumas,
tocaram o meu rosto.
Fiquei sem ar, o coração parou...
Meu corpo paralizou...
Hipnotizado...
Como uma lebre diante de uma serpente.
Senti seus lábios vermelhos e carnudos
tocarem os meus...
Entreguei-me a paixão.
Teus beijos doces, o mel...
Quentes, o fogo...
Umido, como o orvalho,
que caem sobre as folhas e flores...
Tomado por este momento,
desejei nunca acordar deste sonho.
Será sonho... Será...
Saberei...
Se meus cansados olhos despertarem.
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Valério Luiz Nascimento - 15/11/10
Poema a Donna Crystal

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